Classicos do Cinema: Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões (1991)

Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões, a adaptação definitiva do lendário fora da lei

Existem personagens que pertencem ao imaginário coletivo. Robin Hood é um deles.

Durante décadas, o lendário arqueiro de Sherwood ganhou inúmeras versões no cinema e na televisão. Algumas apostaram na comédia, outras na aventura, outras no romance e outras em uma abordagem mais próxima do período medieval.

Mas, quando penso na adaptação cinematográfica que melhor conseguiu reunir aventura, romance, ação, humor, drama e espírito de lenda, minha escolha é Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões, lançado em 1991 e dirigido por Kevin Reynolds.

É um filme que representa perfeitamente o cinema de aventura de uma determinada época.

Grandioso, romântico, divertido, dramático e absolutamente comprometido com a ideia de transformar Robin Hood em um herói cinematográfico.

Kevin Reynolds entende o espírito da aventura

Kevin Reynolds dirige o filme com uma compreensão muito clara daquilo que o público espera de uma grande aventura medieval.

O diretor não tenta transformar Robin Hood em uma reconstrução histórica rigorosa.

Ele constrói uma lenda.

E isso faz toda a diferença.

Castelos, florestas, batalhas, cavalos, arqueiros, espadas, perseguições e duelos aparecem constantemente, mas sempre acompanhados por uma narrativa que valoriza os personagens.

A floresta de Sherwood parece um lugar quase mítico.

O castelo representa o poder.

O povo representa a opressão.

E Robin representa a resistência.

É uma estrutura simples, mas extremamente eficiente.

Kevin Costner nasceu para aquele Robin Hood

Kevin Costner assume o papel principal e entrega um Robin Hood carismático, determinado e humano.

Seu personagem não é um super-herói.

Ele apanha, erra, se irrita, sofre e precisa aprender a liderar.

Ao retornar à Inglaterra depois de lutar nas Cruzadas, Robin encontra seu país dominado pelo xerife de Nottingham.

Sua própria casa foi tomada.

Seu pai está morto.

Seu povo sofre.

E ele decide reagir.

Costner consegue equilibrar a personalidade aventureira do personagem com seus momentos dramáticos.

Existe humor.

Existe romance.

Existe raiva.

Existe coragem.

E existe uma preocupação genuína com aqueles que dependem dele.

Morgan Freeman rouba a cena

Um dos maiores acertos do filme foi colocar Morgan Freeman como Azeem.

Azeem acompanha Robin depois que os dois se conhecem durante as Cruzadas.

A relação entre os personagens é uma das melhores partes da produção.

Azeem não é apenas um ajudante.

Ele possui personalidade própria, inteligência, experiência e coragem.

Morgan Freeman traz para o personagem uma presença extraordinária.

E também contribui para alguns dos momentos mais engraçados do filme.

Sua química com Costner funciona muito bem.

Alan Rickman é o xerife de Nottingham

Mas existe um personagem que praticamente rouba o filme inteiro.

O xerife de Nottingham, interpretado por Alan Rickman.

E que atuação.

Rickman transforma o vilão em uma figura exagerada, sarcástica, cruel e absolutamente memorável.

Ele não interpreta o xerife simplesmente como um homem mau.

Ele se diverte com o personagem.

Cada olhar, cada gesto e cada fala carregam personalidade.

É justamente essa combinação de ameaça e humor que tornou o xerife de Rickman tão marcante.

Mesmo quando não está em uma cena de ação, ele consegue dominar a tela.

Mary Elizabeth Mastrantonio como Marian

Mary Elizabeth Mastrantonio interpreta Marian.

Sua personagem é muito mais ativa do que muitas representações tradicionais da donzela medieval.

Marian possui personalidade, coragem e participa diretamente dos acontecimentos.

O romance entre ela e Robin também é um dos pilares da história.

Mastrantonio consegue equilibrar a dimensão romântica da personagem com sua participação na narrativa política.

Ela não está simplesmente esperando Robin salvá la.

Ela também precisa enfrentar o poder do xerife.

Christian Slater como Will Scarlett

Christian Slater interpreta Will Scarlett.

Sua presença acrescenta energia ao grupo de Sherwood.

O personagem possui uma relação inicialmente complicada com Robin e contribui para ampliar o lado familiar da história.

A descoberta da verdadeira relação entre os dois personagens também acrescenta uma camada emocional importante à narrativa.

O elenco é um dos grandes méritos

Além dos protagonistas, o filme reúne nomes muito fortes.

Brian Blessed interpreta Lord Locksley.

Geraldine McEwan interpreta a ama.

Michael Wincott interpreta Guy of Gisbourne.

Nick Brimble interpreta Little John.

Robert Addie interpreta Guy de Gisborne.

E ainda existe uma participação extremamente divertida de Sean Connery como Ricardo Coração de Leão.

O conjunto funciona porque cada personagem possui uma função clara dentro da aventura.

A fotografia cria uma Inglaterra medieval quase lendária

A fotografia de Douglas Milsome é outro grande destaque.

O filme explora muito bem o contraste entre a floresta de Sherwood, os castelos, as aldeias e os campos.

A floresta possui uma atmosfera quase fantástica.

É um espaço de liberdade.

Quando Robin está em Sherwood, ele está entre aqueles que escolheram desafiar o poder estabelecido.

Quando está no castelo, encontra um mundo de autoridade, riqueza e ameaça.

Essa oposição visual ajuda a contar a história.

As batalhas e os combates

Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões também entrega grandes sequências de ação.

As batalhas medievais possuem escala.

Os confrontos com espadas são coreografados para funcionar como espetáculo.

E, evidentemente, o arco e flecha ocupa posição central.

Robin não é apenas um guerreiro.

Ele é um arqueiro excepcional.

Essa característica é fundamental para a identidade do personagem.

O humor é essencial

Um dos elementos que diferencia o filme de várias outras adaptações é o humor.

A produção não se leva completamente a sério.

Há momentos de tensão, violência e drama, mas também existe espaço para situações absurdas e personagens exagerados.

Grande parte desse humor vem de Alan Rickman.

E funciona porque o filme sabe exatamente que tipo de aventura está contando.

Não é uma obra histórica austera.

É uma aventura medieval com espírito de lenda.

A música de Michael Kamen

A trilha sonora de Michael Kamen também merece destaque.

Ela contribui para a atmosfera heroica do filme e acompanha muito bem os momentos de ação e emoção.

E existe uma música que ficou indissociavelmente ligada ao filme.

Everything I Do, I Do It for You, interpretada por Bryan Adams, tornou se um dos maiores sucessos musicais associados a uma produção cinematográfica.

A canção reforça a dimensão romântica da história e acabou se tornando parte da identidade cultural do filme.

Uma adaptação que entende o que Robin Hood representa

Talvez essa seja a maior qualidade da produção.

O filme entende que Robin Hood não precisa ser apresentado apenas como um personagem histórico.

Robin Hood é uma lenda.

A história tradicional fala de um homem que vive na floresta, enfrenta uma autoridade injusta, rouba dos ricos e ajuda os pobres.

O filme amplia essa ideia e transforma Robin em um símbolo de resistência contra o abuso de poder.

Não é necessário acreditar que todos os acontecimentos tenham ocorrido exatamente daquela maneira.

O importante é compreender a força da lenda.

O legado

Mais de três décadas depois, Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões continua sendo lembrado por sua combinação de aventura, romance, ação e humor.

Kevin Costner permanece associado ao personagem.

Morgan Freeman entrega um Azeem memorável.

Mary Elizabeth Mastrantonio dá personalidade a Marian.

E Alan Rickman cria um dos vilões mais divertidos e inesquecíveis do cinema de aventura.

É justamente essa combinação que faz o filme continuar funcionando.

Para mim, o melhor Robin Hood do cinema

Existem versões mais fiéis a determinadas interpretações históricas.

Existem versões mais sombrias.

Existem versões mais infantis.

Existem versões mais próximas do folclore original.

Mas, como experiência cinematográfica, Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões continua sendo, para mim, a melhor adaptação cinematográfica de Robin Hood.

É um filme que possui tudo aquilo que esperamos de uma grande aventura.

Um herói carismático.

Um vilão inesquecível.

Um grande romance.

Uma amizade improvável.

Batalhas.

Castelos.

Florestas.

Arcos e flechas.

Humor.

Drama.

Sacrifício.

E uma boa dose de exagero.

Talvez seja justamente esse exagero que explique sua longevidade.

Porque Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões não pretende apenas contar a história de Robin Hood.

Ele pretende fazer o espectador acreditar, durante algumas horas, que a floresta de Sherwood realmente existe, que Robin está escondido entre suas árvores e que, em algum momento, ele surgirá com seu arco nas mãos para desafiar o poder.

E é exatamente isso que uma grande aventura cinematográfica deve fazer.

Léo Vilhena