Os Estranhos: Capítulo 2 (2 Estrelas)

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Após descobrirem que sua vítima, Maya, ainda está viva, três maníacos mascarados retornam para terminar o serviço. Sem ter para onde correr e sem ninguém em quem confiar, Maya se vê em uma luta pela sobrevivência contra psicopatas.

“Os Estranhos: Capítulo 2” tenta vender a ideia de continuidade, mas acaba parecendo mais uma repetição esticada, e mal feita, do que um capítulo novo. O filme até entrega tensão, alguns sustos bem calculados e uma estética sombria interessante, mas tropeça no ponto mais importante: novidade. A sensação é de déjà vu, casa isolada, máscaras, perseguição, violência gratuita e um roteiro que só se sustenta porque os personagens insistem em tomar decisões dignas de propaganda de Darwin.

A direção até tenta construir atmosfera, mas o terror vira um ritual mecânico sem graça: ameaça, perseguição, grito, corte rápido, mais perseguição. Há suspense? Sim. Mas é o mesmo suspense de sempre, embalado como se fosse algo profundo. Falta coragem narrativa, falta subtexto, falta surpresa. O filme tem medo do próprio silêncio e tenta compensar com barulho.

O maior problema é que ele aposta na estética e esquece da inteligência. Terror não precisa ser filosófico, mas precisa ser esperto, e aqui o público percebe tudo antes dos personagens. Quando o vilão é mais coerente do que o roteiro, o terror deixa de ser psicológico e vira apenas um exercício de resistência do espectador.

No final, “Os Estranhos: Capítulo 2” funciona para quem quer sustos fáceis e violência coreografada. Mas para quem espera algo além de portas batendo e rostos mascarados, o filme deixa a sensação amarga de que o verdadeiro horror não está na tela, mas na falta de criatividade. E aí fica a pergunta incômoda: por que insistimos em continuar assistindo sequências que parecem cópias carbono de si mesmas? Talvez porque o medo mais real seja admitir que Hollywood também se esconde atrás de uma máscara, a da repetição.

Léo Vilhena