“Tremembé” é uma daquelas produções brasileiras que chegam carregadas de expectativa, principalmente por tocar em um universo real, cercado de mistérios, lendas locais e tensões sociais. No entanto, a série nem sempre consegue transformar essa atmosfera em algo realmente envolvente.
O roteiro até apresenta bons pontos: personagens com conflitos internos, passado mal resolvido e uma cidade pequena onde todos sabem de tudo, mas ninguém fala de nada. O problema é que a narrativa caminha em ritmo irregular. Existem capítulos intensos, cheios de tensão e boas reviravoltas, seguidos de episódios arrastados, onde parece que a história corre em círculos sem avançar.
As atuações são competentes, mas falta profundidade para que o público realmente compreenda os protagonistas.
Visualmente, a série é bem trabalhada. A fotografia ajuda a criar o clima soturno, rural e claustrofóbico. Os cenários e o uso da escuridão contribuem para dar ao público a sensação de que algo sempre está prestes a acontecer, mesmo quando não acontece.
“Tremembé” tem boas ideias, mas sofre na execução. É como se tivesse intenção de ser um grande suspense, mas ficasse presa entre o medo de ousar e o receio de ser previsível. O resultado é um meio-termo: não é uma série ruim, mas também não chega a ser memorável. É fraca.
No fim, “Tremembé” funciona melhor para quem gosta de histórias lentas, cheias de mistério e com clima de cidade pequena. Porém, quem procura impacto, ritmo forte e personagens marcantes pode sentir que a série prometeu mais do que entregou. E, no fundo, essa talvez seja sua maior falha: desperta curiosidade, mas não a recompensa totalmente.
Porém, o maior erro, na minha opinião, é tentar humanizar ou glamourizar assassinos e criminosos impiedosos. Essa foi uma falha imperdoável da produção. Quando a narrativa insiste em transformar psicopatas em vítimas incompreendidas, a história perde a força, o impacto e até o respeito do público.
O suspense deixa de ser suspense e vira propaganda emocional mal disfarçada.
No fim, o medo some, a tensão evapora e sobra apenas a sensação de que tentaram nos convencer a ter empatia por quem não demonstrou um único gesto de humanidade com suas vítimas.
Léo Vilhena