O diabo veste Prada 2 (2026) 4 Estrelas

É muito bom, mas como trata-se de uma continuação direta do primeiro filme, a comparação é inevitável. É muito bom, mas não supera o primeiro.


O Diabo Veste Prada 2 é a continuação do tão esperado já clássico O Diabo Veste Prada. A trama volta a acompanhar Miranda Priestly (Meryl Streep), editora chefe da revista Runway. No entanto, o mundo vive um momento de mudanças extremas tanto na moda quanto na indústria de publicações e revistas. Com a digitalização chegando com força, .

Miranda precisa lidar com o colapso do jornalismo e enfrentar um novo obstáculo já bem conhecido: sua antiga secretária Emily (Emily Blunt), que, agora, é uma executiva de alto escalão numa marca de luxo, tomando as decisões publicitárias da grife e, por isso, entrando no caminho de Miranda.

exatamente como Miranda Priestly: torci o bico. Para a minha surpresa, entretanto, no primeiro minuto da sequência de 2026, uma breve referência ao icônico debate sobre os cintos azuis que aconteceu há 20 anos me fez abrir um sorrisinho e o coração para O Diabo Veste Prada 2. Sei que o lançamento sem fim de sequências é uma tendência alarmante no cinema hollywoodiano – e vamos continuar falando sobre –, mas aqui, a verdade é que prevaleceu a sensação de “que bom que estou vendo Andy, Emily, Nigel e Miranda de novo”.

Exatas duas décadas após aparecer em nossas telas pela primeira vez, a repórter Andy Sachs (Anne Hathaway em estado de puro carisma) retorna nos apresentando o desesperador cenário atual de seu ofício: os veículos impressos estão indo embora e o jornalismo tradicional respira por aparelhos. Após uma reviravolta profissional, ela precisa retornar à Runway, onde reencontra a antiga chefe Miranda (Meryl Streep) e seu braço direito Nigel (Stanley Tucci). A revista está em um momento de crise e Andy chega para recuperar a credibilidade da marca, uma tarefa que encontra os mais diversos tipos de obstáculos – do financeiro aos egos enormes.

Particularmente, uma das questões mais incômodas a respeito de sequências, especialmente as que vêm muito tempo após as histórias originais, está na construção e reconstrução dos personagens. Era um dos meus principais receios em O Diabo Veste Prada 2: não reconhecer as características que tornaram aquele grupo de pessoas tão icônico. Mas está justamente aqui o grande trunfo do filme: é fácil embarcar na ideia de que o tempo passou, aqueles personagens envelheceram e evoluíram, mas ainda são as mesmas pessoas e conseguimos reconhecê-las.

O tratamento abusivo que Miranda dava aos funcionários da revista não passaria, de maneira alguma, ileso ao novo mercado de trabalho e o longa brinca com a dificuldade que a editora tem em não poder mais ser tão… “direta” nas palavras. Miranda é inteligente e aprendeu a navegar no “politicamente correto”, mas não perdeu a natureza complexa e muitas vezes insensível que a tornou uma figura marcante. O mesmo acontece com Andy: quando a protagonista nos conta o que tem feito nos últimos anos, as informações fazem sentido, então é positiva a sensação de apenas se reencontrar com uma antiga conhecida.

Por outro lado, o desenrolar da relação entre os personagens tropeça em alguns pontos. O início da reconexão entre eles é ótimo, especialmente entre Miranda e Andy. Assim como a protagonista, temos uma grande expectativa para o reencontro com a antiga chefe e o banho de água fria que vem em seguida é certeiro e divertido: para Miranda, Andy foi mais uma de suas secretárias. Na época, pode até ter deixado uma impressão, mas com o passar do tempo entrou para a galeria das inúmeras “Emilys”.

O sentimento, no entanto, é diferente com Nigel. Ao final do primeiro filme, ele sofre uma decepção com Miranda e 20 anos depois, parece que nada mudou e que ele aprendeu pouco com as experiências. A volta de Andy opera uma espécie de milagre que leva a uma mudança entre os dois, mas a forma como isso acontece na história é repentina e apressada. Algo parecido vale para Emily (Emily Blunt): é interessante entender o que aconteceu com ela nesses 20 anos, mas em muitos momentos, parece deslocada do centro da história. Bem, para nossa sorte, Emily Blunt é uma atriz excepcional e garante o entretenimento mesmo onde o roteiro deixa espaços.